O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), e o Aeroporto de Liège, na Bélgica, assinaram um memorando de entendimento para atrair novas operações de carga aérea entre os dois países. Segundo as informações divulgadas pelos terminais, o acordo está na fase inicial e, por ora, não há rotas, companhias nem datas de voos anunciadas.
Na prática, as equipes de desenvolvimento de negócios dos dois aeroportos passam a manter contato rotineiro. A ideia é buscar clientes em conjunto, fazer promoção conjunta e conversar com companhias aéreas que possam vir a operar a ligação.
O que os aeroportos pretendem fazer
Estão em análise incentivos comerciais para operadores interessados. Os terminais também preparam estudos técnicos e operacionais para avaliar as perspectivas de serviços exclusivamente cargueiros.
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O memorando prevê uma lista compartilhada de alvos, troca de informações comerciais, chamadas regulares e reuniões presenciais.
Frederic Brun, vice-presidente de vendas e marketing de Liège, afirmou que a prioridade é construir relações com companhias aéreas e agentes de carga capazes de sustentar rotas de forma duradoura. Maria Fan, diretora comercial de Viracopos, disse que os aeroportos pretendem ouvir companhias, agentes e embarcadores para desenvolver soluções práticas.
Os aeroportos também veem espaço para ampliar o tráfego direto entre Europa e Brasil e examinam conexões de cargas que circulam entre Ásia e América Latina via Liège.
Quais cargas estão na mira
O setor farmacêutico será uma das prioridades. Viracopos informou que o valor de suas importações farmacêuticas subiu 43% em 2026. O aeroporto constrói um armazém refrigerado dedicado, que deve dobrar a capacidade de armazenagem desses produtos.
A tecnologia é outra aposta. Segundo os aeroportos, Viracopos responde por 45% das importações brasileiras de alta tecnologia que chegam por via aérea. Eles apontam que a digitalização, a inteligência artificial e a computação em nuvem aumentam a demanda por data centers e, com ela, a importação de racks de servidores e equipamentos associados.
Viracopos também espera que o Redata, regime tributário voltado a data centers, atraia mais investimentos. A medida prevê suspender por cinco anos os tributos federais incidentes na compra de equipamentos que se enquadrem nas regras.
No comércio eletrônico, o aeroporto de Campinas diz já operar um armazém dedicado adicional, de 20.000 m², com capacidade ampliada de inspeção por raio X e acesso direto ao pátio. A administração afirma que a aproximação entre operadores de carga e órgãos do governo contribuiu para diminuir gargalos na alfândega.
O que ainda não está definido
O material divulgado não informa quais companhias poderão operar as novas rotas, quantos voos seriam criados nem quando começariam. Também não detalha valores de investimento nem custos para empresas que queiram usar os incentivos em análise.
Por ora, a etapa é de identificação de oportunidades e estudos técnicos e operacionais. Não há prazo divulgado para a conclusão dessa fase.



