A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito, aberto em 10 de fevereiro de 2026 e mantido sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, apura a ligação dele com a OnilX, empresa de criptomoedas acusada por investidores de não devolver o dinheiro aplicado.
A investigação foi revelada nesta quinta-feira (29) pela coluna de Tácio Lorran, no site Metrópoles, e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes que acompanham o caso. Guedes, que comandou a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro de 2019 a 2022, não foi denunciado nem é réu. A defesa dele não se manifestou até a publicação desta reportagem.
O que a PF investiga
O alvo principal do inquérito é o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX. Segundo o Metrópoles, ele é investigado ao lado de Guedes e de outras dez pessoas, num total de 12. A apuração tem como base a Lei 7.492/1986, conhecida como Lei do Colarinho Branco, que define os crimes contra o sistema financeiro.
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O processo é classificado como criminal e envolve a PF e o Ministério Público Federal. Houve despacho e intimações em 21 de setembro, e novas petições e diligências foram registradas em outubro. Como o caso corre em segredo, os documentos não são públicos.
Qual seria o papel de Paulo Guedes na OnilX
De acordo com as reportagens, Guedes prestou consultoria a Fábio Lino e, segundo o Metrópoles, tinha um contrato de marketing com a empresa. As suspeitas descritas pelas duas publicações são estas:
- participação em reuniões estratégicas e conversas reservadas com potenciais investidores;
- uso da imagem do ex-ministro em materiais de divulgação da OnilX;
- uma postagem da empresa que o mostra ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, num encontro descrito como de “alta relevância estratégica”, com Guedes apresentado como quem dava “suporte e visão” ao negócio;
- palestras para investidores e assessores, uma delas para cerca de 500 pessoas, em que ele elogiou a empresa.
Em mensagens anexadas a um processo judicial, uma assessora da OnilX disse a um possível cliente que Guedes “tá dentro da empresa” e ofereceu uma reunião com ele a quem tivesse de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para aplicar.
O que dizem os investidores
A empresa prometia rendimentos de até 2,8% ao mês em aplicações com criptomoedas e stablecoins. Investidores relatam que não conseguem resgatar o dinheiro, e parte deles suspeita de pirâmide financeira.

O Metrópoles contou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, espalhadas por sete estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. A maior parte dos prejuízos se concentra no Sul.
Um dos casos é o de um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa. Os dois contam que participaram de uma reunião com Guedes na sede da OnilX em abril, decidiram manter e ampliar os aportes e, quatro meses depois, não conseguiram sacar os valores.
O que a CVM já decidiu sobre a empresa
A Comissão de Valores Mobiliários agiu contra o grupo antes da investigação criminal vir a público. Em janeiro de 2026, o Ato Declaratório CVM nº 24.680 mandou a Onil Exchange Internacional suspender ofertas de serviços de intermediação de valores mobiliários, atividade que exige autorização da autarquia.
A empresa recorreu. Em 1º de abril, o colegiado da CVM manteve a ordem por maioria, mas esclareceu, por unanimidade, que ela não alcança a simples intermediação de criptoativos que estão fora do perímetro regulado pela comissão, como bitcoin, ether e USDT, desde que sem promessa de rendimento ou contrato de investimento. O então presidente interino da CVM, João Carlos Accioly, ficou vencido: votou pela revogação do ato.
O que dizem Guedes e a OnilX
Guedes e Fábio Lino têm os mesmos advogados no inquérito, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Procurada pelo Metrópoles e pela Gazeta do Povo, a defesa não respondeu.
A OnilX nega as acusações nos autos dos processos e afirma que atua de forma regular no mercado de ativos virtuais.
O que acontece agora
O inquérito segue na 9ª Vara Federal de Curitiba. Ao fim da investigação, a PF pode indiciar ou não os suspeitos, e caberá ao Ministério Público Federal decidir se apresenta denúncia à Justiça. Em paralelo, as ações movidas por investidores seguem na Justiça dos sete estados. O Trendou vai atualizar esta reportagem se a defesa de Guedes se manifestar.



