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PF investiga Paulo Guedes por elo com empresa de cripto acusada de calote; o que se sabe

Inquérito sigiloso em Curitiba apura crimes contra o sistema financeiro ligados à OnilX, que prometia até 2,8% ao mês e é alvo de mais de 100 ações

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Resumo rápido

  • A PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro, em inquérito aberto em fevereiro na 9ª Vara Federal de Curitiba.
  • O caso envolve a OnilX, empresa de criptomoedas que prometia até 2,8% ao mês e responde a 108 ações de investidores.
  • A defesa de Guedes não se manifestou; a OnilX nega irregularidades.

A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito, aberto em 10 de fevereiro de 2026 e mantido sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, apura a ligação dele com a OnilX, empresa de criptomoedas acusada por investidores de não devolver o dinheiro aplicado.

A investigação foi revelada nesta quinta-feira (29) pela coluna de Tácio Lorran, no site Metrópoles, e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes que acompanham o caso. Guedes, que comandou a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro de 2019 a 2022, não foi denunciado nem é réu. A defesa dele não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O que a PF investiga

O alvo principal do inquérito é o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX. Segundo o Metrópoles, ele é investigado ao lado de Guedes e de outras dez pessoas, num total de 12. A apuração tem como base a Lei 7.492/1986, conhecida como Lei do Colarinho Branco, que define os crimes contra o sistema financeiro.

Leia também: Samsung tem lucro operacional recorde de 107,4 trilhões de won, mas ações caem 4,13%

O processo é classificado como criminal e envolve a PF e o Ministério Público Federal. Houve despacho e intimações em 21 de setembro, e novas petições e diligências foram registradas em outubro. Como o caso corre em segredo, os documentos não são públicos.

Qual seria o papel de Paulo Guedes na OnilX

De acordo com as reportagens, Guedes prestou consultoria a Fábio Lino e, segundo o Metrópoles, tinha um contrato de marketing com a empresa. As suspeitas descritas pelas duas publicações são estas:

  • participação em reuniões estratégicas e conversas reservadas com potenciais investidores;
  • uso da imagem do ex-ministro em materiais de divulgação da OnilX;
  • uma postagem da empresa que o mostra ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, num encontro descrito como de “alta relevância estratégica”, com Guedes apresentado como quem dava “suporte e visão” ao negócio;
  • palestras para investidores e assessores, uma delas para cerca de 500 pessoas, em que ele elogiou a empresa.

Em mensagens anexadas a um processo judicial, uma assessora da OnilX disse a um possível cliente que Guedes “tá dentro da empresa” e ofereceu uma reunião com ele a quem tivesse de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para aplicar.

O que dizem os investidores

A empresa prometia rendimentos de até 2,8% ao mês em aplicações com criptomoedas e stablecoins. Investidores relatam que não conseguem resgatar o dinheiro, e parte deles suspeita de pirâmide financeira.

Paulo Guedes discursa em palestra
Paulo Guedes durante palestra no Painel Telebrasil Summit 2022 (foto de arquivo, 28/06/2022) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Metrópoles contou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, espalhadas por sete estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. A maior parte dos prejuízos se concentra no Sul.

Um dos casos é o de um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa. Os dois contam que participaram de uma reunião com Guedes na sede da OnilX em abril, decidiram manter e ampliar os aportes e, quatro meses depois, não conseguiram sacar os valores.

O que a CVM já decidiu sobre a empresa

A Comissão de Valores Mobiliários agiu contra o grupo antes da investigação criminal vir a público. Em janeiro de 2026, o Ato Declaratório CVM nº 24.680 mandou a Onil Exchange Internacional suspender ofertas de serviços de intermediação de valores mobiliários, atividade que exige autorização da autarquia.

A empresa recorreu. Em 1º de abril, o colegiado da CVM manteve a ordem por maioria, mas esclareceu, por unanimidade, que ela não alcança a simples intermediação de criptoativos que estão fora do perímetro regulado pela comissão, como bitcoin, ether e USDT, desde que sem promessa de rendimento ou contrato de investimento. O então presidente interino da CVM, João Carlos Accioly, ficou vencido: votou pela revogação do ato.

O que dizem Guedes e a OnilX

Guedes e Fábio Lino têm os mesmos advogados no inquérito, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Procurada pelo Metrópoles e pela Gazeta do Povo, a defesa não respondeu.

A OnilX nega as acusações nos autos dos processos e afirma que atua de forma regular no mercado de ativos virtuais.

O que acontece agora

O inquérito segue na 9ª Vara Federal de Curitiba. Ao fim da investigação, a PF pode indiciar ou não os suspeitos, e caberá ao Ministério Público Federal decidir se apresenta denúncia à Justiça. Em paralelo, as ações movidas por investidores seguem na Justiça dos sete estados. O Trendou vai atualizar esta reportagem se a defesa de Guedes se manifestar.

Fontes consultadas

Metrópoles — PF investiga Paulo Guedes por crime contra o sistema financeiro Metrópoles — Paulo Guedes dava legitimidade a operações de empresa acusada de calote Gazeta do Povo — PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro CVM — Decisão do Colegiado de 01/04/2026 – Recurso da Onil Exchange Internacional (Proc. 19957.015252/2025-29)

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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