O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (29) que não tomou partido na eleição brasileira porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que ele ficasse neutro. Trump afirmou também que pretende conversar com Lula, reeleito no domingo (25), e voltou a criticar o processo eleitoral.
A fala foi dada a jornalistas antes de Trump viajar à Carolina do Sul, onde haveria um comício. “Eu assisti à eleição e eu não tomei partido. Eu deixei acontecer. O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas quando eu assisti o que aconteceu no Brasil foi uma desgraça”, disse, segundo o Metrópoles.
Trump chegou a responder sobre o resultado?
Não diretamente. Questionado sobre quem considera o legítimo vencedor, ele disse: “Não quero comentar sobre isso agora”. Em seguida, afirmou que a eleição foi “um grande constrangimento” para o povo brasileiro, de acordo com o Metrópoles e o InfoMoney. A Rádio Guaíba transcreveu a mesma fala como “uma grande vergonha”.
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As transcrições também divergem no trecho final da declaração. Para o Metrópoles, Trump disse que o que viu “foi uma desgraça”. A Rádio Guaíba registrou que foi “algo que me deixou perplexo”.
Trump também citou o mercado financeiro. “O mercado diz isso. Basta olhar para o mercado. O mercado deles [Brasil] despencou”, afirmou, segundo a Rádio Guaíba.
Antes, ele havia dito, sem apresentar provas, que a eleição brasileira “parece mais uma eleição fraudulenta”, mas afirmou manter boa relação com Lula, segundo o InfoMoney.
Qual é a situação de Flávio Bolsonaro?
As declarações vêm um dia depois da chegada aos Estados Unidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno. Segundo o Metrópoles, a diferença foi de mais de 3 milhões de votos. O InfoMoney informa que ele passou pela Argentina antes de chegar ao território americano. A Rádio Guaíba cita Miami como destino.
Na quarta-feira (28), Trump confirmou ter aprovado a entrada do senador no país e disse que não se envolverá na situação pós-eleitoral brasileira, segundo a Rádio Guaíba.

Na carta divulgada por Flávio, ele agradecia a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, e questionava o processo eleitoral sem apresentar provas. O documento o chamava de “presidente eleito”. Minutos depois, ele trocou a expressão por “líder do Brasil”, conforme o InfoMoney. Aliados do senador não endossaram o argumento e disseram não ter provas de fraude, de acordo com o Metrópoles.
Como foi a última conversa entre Trump e Lula?
Os dois falaram sobre a eleição pela última vez em agosto, por telefone, antes do primeiro turno. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Trump fez “uma referência superficial ao processo eleitoral”. Lula respondeu que a disputa transcorria de forma tranquila e que o sistema eleitoral brasileiro é seguro, conforme o Metrópoles.
De acordo com o mesmo site, a campanha de Lula avaliava que um apoio de Trump a algum candidato poderia atrapalhar mais do que ajudar, por causa do impacto interno do tarifaço americano sobre produtos brasileiros. Depois das tarifas, pesquisas indicaram queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na época. Trump recebeu o senador na Casa Branca em 26 de maio, e não deu apoio público a ele durante a campanha.
O governo americano ainda não se manifestou sobre o resultado da eleição, segundo o Metrópoles.



