Os atropelamentos mataram 127 pedestres na região de Campinas (SP) entre janeiro e outubro de 2026, segundo o Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito em São Paulo (Infosiga-SP). Os dados constam em reportagem do g1 publicada nesta quinta-feira (5).
Dois casos recentes entraram no noticiário. Na noite de quarta-feira (4), um homem sofreu ferimentos graves ao ser atropelado na Rodovia Francisco von Zuben, em trecho entre Campinas e Valinhos. Nesta quinta, uma mulher de 34 anos foi atingida por um carro no cruzamento da Rodovia Heitor Penteado com a Rua Ernesto Zigiatti, em Campinas, e ficou ferida.
Quantos pedestres morrem em Campinas por ano
Dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), responsável pelo trânsito na cidade, mostram que o total anual ficou praticamente estável nos últimos três anos:
Leia também: PM de SP abre 2 mil vagas para aluno-soldado com salário de R$ 5.482,51
- 2023: 22 pedestres mortos
- 2024: 21 pedestres mortos
- 2025: 22 pedestres mortos
Em 2026, o número recuou. De janeiro a setembro, Campinas contabilizou 11 mortes de pedestres, contra 16 no mesmo intervalo de 2025. A redução é de 31,3%.
Os recortes são diferentes: o total de 127 cobre toda a região até outubro, enquanto o dado da cidade termina em setembro. A reportagem do g1 não detalha quantas das 127 mortes ocorreram fora de Campinas.
O que propõe o especialista em trânsito
Ayrton Camargo e Silva, professor de mobilidade urbana e especialista em trânsito, disse ao g1 que reduzir o limite de velocidade é uma das medidas mais eficazes, porque diminui o número de atropelamentos e também a gravidade deles. Segundo ele, muitas prefeituras ainda evitam esse debate.
“Muitas vezes o poder público é omisso porque não enfrenta o desafio de regulamentar velocidades mais baixas e, em paralelo, adotar ações de fiscalização para que essa velocidade seja respeitada.”
Velocidade alta com fiscalização insuficiente, afirma o professor, aumenta o risco para quem anda a pé, principalmente em cruzamentos movimentados e em corredores de grande fluxo.
Ele também defende obras de engenharia de tráfego voltadas ao pedestre: redutores de velocidade, faixas elevadas e ajustes em cruzamentos com histórico de acidentes.
E a educação no trânsito?
Para Ayrton, parte do dinheiro arrecadado com multas deveria bancar programas permanentes de conscientização. “A criança precisa aprender a entender a sinalização, a fazer a sua travessia na faixa e no sinal. Quando ela vier a ser motorista, já terá internalizado as leis de trânsito, como respeitar os limites de velocidade”, afirmou.
As propostas são opinião do especialista, não medidas anunciadas. A reportagem do g1 não traz posicionamento da Emdec nem da Prefeitura de Campinas sobre mudar limites de velocidade, reforçar a fiscalização ou fazer obras nos pontos de risco.



