Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
--° São Paulo
Brasil e política

Seguro rural: nova lei impede bloqueio do subsídio e dá prioridade no crédito a segurados

Lei 15.526, publicada nesta quarta (30), permite exigir seguro no crédito de custeio e tenta tirar do papel o Fundo Catástrofe, criado em 2010

Resumo rápido

  • Lei 15.526 foi sancionada com vetos na terça (29) e publicada no Diário Oficial na quarta (30)
  • Subvenção ao prêmio do seguro rural vira despesa obrigatória e não pode ser contingenciada
  • Produtor segurado terá prioridade no crédito e em renegociações; isenção de tributos foi vetada

A verba federal que subsidia o prêmio do seguro rural não poderá mais ser contingenciada nem bloqueada no Orçamento. É o que determina a nova lei do setor, a Lei 15.526, sancionada com vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (29). O texto saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (30).

A norma também dá prioridade no crédito a quem tem apólice e tenta pôr para funcionar o Fundo Catástrofe, previsto desde 2010 e até hoje inoperante.

O que muda no seguro rural para o produtor

Os principais pontos, segundo as agências Senado, Câmara e Brasil:

  • Prioridade no crédito: quem tem seguro terá preferência no acesso ao crédito rural e nas linhas oficiais de prorrogação ou renegociação de dívidas.
  • Condições diferenciadas: operações cobertas pelo seguro poderão ter juros, prazos e limites especiais, além de financiamento da parte do prêmio que não recebe subsídio.
  • Seguro como exigência: o poder público poderá cobrar a apólice como condição para o crédito de custeio. A Lei do Seguro Rural, de 2003, proibia isso.
  • Apólice antes do plantio: para ter acesso ao seguro, o produtor precisa contratá-lo e definir os custos de produção antes de plantar.
  • Dados da produção: quem quiser a subvenção federal terá de informar dados sobre a atividade, em formato que o Executivo vai definir. A exigência de histórico individual de ciclos anteriores foi alterada e passa a depender de regulamento.

Como a apólice vira garantia do empréstimo

O seguro entra na lista de garantias do crédito rural. Os bancos poderão exigir cláusulas como a cessão fiduciária dos direitos da apólice ou a indicação do próprio banco como primeiro beneficiário do seguro.

Se houver sinistro, como a perda da lavoura, a indenização poderá ir primeiro para o banco. A apólice dada em garantia terá de ser contratada com seguradoras que cumpram requisitos mínimos de capacidade econômico-financeira definidos em regulamento.

Para o relator no Senado, Jaime Bagattoli (PL-RO), o modelo dá mais segurança a quem toma empréstimo e pode baixar os juros dos financiamentos.

Os contratos terão de informar com clareza os documentos exigidos na análise de sinistros, e a lei fixa prazos para as indenizações.

A verba do seguro rural pode ser bloqueada?

Não. As despesas com a subvenção ao prêmio, paga pelo PSR, o programa federal que subsidia parte do custo da apólice, passam a ter execução obrigatória.

Colheita de açaí em Salvaterra
Colheita de açaí em Salvaterra (PA) (foto de arquivo, 09/10/2025) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há um limite: o valor de cada ano fica restrito ao que o Executivo prever na proposta de Orçamento enviada ao Congresso. Segundo a Agência Câmara, esses gastos dependerão de medidas de compensação, conforme legislação específica. Estados e municípios poderão complementar o apoio para baratear o seguro.

O que é o Fundo Catástrofe

O fundo foi criado pela Lei Complementar 137, de 2010, para dar cobertura extra às seguradoras em prejuízos extraordinários nas colheitas e em outras atividades rurais. Segundo a autora do projeto, ele não saiu do papel porque faltaram regulamentação e aportes regulares de recursos.

Agora, o Executivo poderá designar provisoriamente uma instituição existente para organizá-lo. O patrimônio do fundo poderá incluir:

  • imóveis e outros direitos da União;
  • ações de empresas em que a União tem participação minoritária;
  • ações que excedam o necessário para o controle de sociedades de economia mista.

Os riscos poderão ser repassados a resseguradoras ou ao mercado financeiro, por meio da Letra de Risco de Seguros (LRS).

Quem propôs a lei

O texto nasceu do Projeto de Lei 2.951/2024, da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Aprovado pelo Senado em 3 de setembro, manteve a maior parte do substitutivo dos deputados.

“Um seguro rural mais eficiente ajuda a enfrentar as adversidades, preservar a produção e garantir a continuidade do abastecimento”, afirmou a senadora nas redes sociais.

O que foi vetado e o que acontece agora

Dois trechos foram vetados, segundo a Agência Câmara. Um deles, de acordo com a Agência Senado, deixava explícita a isenção de todos os tributos federais sobre o seguro rural. O Executivo alegou que a medida reduziria a arrecadação sem cumprir a legislação fiscal, que exige estudo de impacto no Orçamento e compensação.

Os vetos vão agora ao Congresso Nacional, que decide em sessão conjunta se os mantém ou derruba.

Fontes consultadas

Agência Senado — Lei fortalece seguro rural e fundo para catástrofes que atinjam a produção Agência Câmara — Nova lei muda regras do seguro rural e amplia benefícios para produtores Agência Brasil — Seguro rural: novas regras ampliam cobertura e proteção ao produtor

Produzida pela Redação Trendou com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes acima. Política editorial · Pedir correção

Mais lidas agora

  1. 1Dia da votação: o que pode e o que é proibido neste domingo (4), no 1º turno
  2. 2Cristiano Ronaldo abandona delegação da seleção de Portugal e pode ser suspenso
  3. 3Calendário INSS outubro 2026: quem recebe de 1º a 7 e quem recebe a partir do dia 26
  4. 4Penhora de salário por dívida civil: STJ admite, mas só em caráter excepcional
  5. 5Pix por aproximação sem teto de R$ 500: o que muda nesta quinta e como ajustar o limite

Escolha sua cidade

Sem escolha, mostramos o tempo da cidade aproximada pela sua conexão. A escolha fica salva só neste aparelho.