A Polícia Federal (PF) indiciou 13 executivos que atuam em fundos de investimento, corretoras e fintechs no inquérito da Operação Quasar. A investigação apura a suspeita de que a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha se infiltrado no mercado de combustíveis e no sistema financeiro.
O relatório final já está com o Ministério Público Federal (MPF). Indiciamento não é condenação: os 13 seguem como investigados, e cabe ao MPF decidir se apresenta denúncia à Justiça.
Do que os executivos indiciados são suspeitos
Segundo o portal g1, citado pela rádio CBN, a PF atribui aos investigados lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e organização criminosa.
A suspeita é que eles tenham ajudado a manter uma estrutura financeira ligada a dois empresários apontados pela PF como chefes do esquema. Ambos estão foragidos desde o ano passado, mas não figuram como alvos diretos deste inquérito.
Para a polícia, dinheiro de sonegação de impostos e de outros crimes ligados aos combustíveis teria sido injetado no sistema financeiro e circulado por contas e fundos de investimento. A PF atribui esses recursos ao grupo econômico formado pelas empresas Aster Petróleo e Copape Produtos de Petróleo.
O inquérito concluiu também que três administradoras dos fundos teriam participado da estrutura montada para esconder a origem do dinheiro e quem se beneficiava dele.

Como funcionava o esquema, segundo a PF
- Camadas de fundos: a PF descreve uma estrutura de “múltiplas camadas societárias e financeiras”, em que fundos detinham fatias de outros fundos ou de empresas. O objetivo seria esconder quem eram os reais donos do dinheiro e fazer os recursos parecerem lícitos.
- Negócios simulados: empresas do grupo teriam simulado compras e vendas de imóveis e de títulos sem finalidade econômica real, o que dificultaria o rastreamento.
- Contas-bolsão: mecanismo que, segundo os investigadores, servia para fracionar depósitos e esconder os titulares dos valores.
As provas citadas pela PF incluem mensagens, contratos, planilhas e extratos bancários obtidos com autorização judicial, além de perícias contábeis.
O que são as operações Carbono Oculto e Quasar
A Operação Quasar foi lançada em 28 de agosto de 2025, ao lado de outras duas operações:
- Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo;
- Tank, da PF no Paraná.
Na ação, 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e houve ordem de bloqueio de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Segundo as investigações das três operações, fintechs e estruturas de “bancos paralelos” ligadas ao esquema teriam movimentado R$ 46 bilhões de 2020 a 2024 só em uma instituição de fachada que está sob investigação. No total, o volume chegaria a pelo menos R$ 52 bilhões a R$ 53 bilhões.
O que acontece agora com os indiciados
Nos próximos dias, segundo a CBN, o MPF deve escolher um de três caminhos:
- apresentar denúncia à Justiça;
- pedir novas diligências;
- arquivar o caso.



