O Dia dos Mortos, ou Día de Muertos, é a celebração mexicana em que as famílias lembram quem já morreu com altares, flores, comida e música. A data mais associada à festa é 1º e 2 de novembro, mas a tradição costuma se estender por semanas e, em algumas comunidades, por meses.
As festas indígenas dedicadas aos mortos foram reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, segundo o iG Turismo.
De onde vem a tradição
As raízes estão em rituais de povos indígenas que já viviam onde hoje fica o México antes da colonização espanhola. Com a chegada dos espanhóis e do catolicismo, essas práticas se misturaram a duas datas cristãs: Todos os Santos e Fiéis Defuntos.
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Tradicionalmente, o dia 1º é ligado à memória das crianças que morreram, e o dia 2, à dos adultos. Os costumes mudam de uma comunidade para outra.
Como funcionam os altares
O centro da celebração são as “ofrendas”, altares montados pelas famílias. Entram ali fotografias, velas, água, objetos pessoais, bebidas e pratos que a pessoa homenageada apreciava, além do pan de muerto.
A flor de cempasúchil, amarela ou alaranjada, aparece em casas, praças e cemitérios. Segundo a tradição, a cor e o aroma ajudam a guiar as almas até as famílias.
Em Santa María Alotepec, em Oaxaca, o ritual tem horário marcado. Sebastiano Pablo Gomez, de 73 anos, contou à Folha de S.Paulo que é preciso tomar banho antes da madrugada do dia 2, e que um familiar sai para buscar as almas para o jantar. “Eles comem primeiro e depois a gente”, disse. No dia seguinte, a comida é repartida de casa em casa.
Em Tepoztlán, Elias Navarrete, de 70 anos, homenageará pela primeira vez a esposa, morta há dois anos. De acordo com a tradição citada no relato da Folha, no primeiro ano após a morte não se coloca oferenda, porque a alma ainda não está pronta.
Quem é a Catrina gigante
A Catrina, figura de caveira elegantemente vestida, é um dos símbolos mais visíveis da data. Ela nasceu como a “Calavera Garbancera”, criada no início do século XX pelo ilustrador José Guadalupe Posada como crítica social, e ganhou projeção com um mural de Diego Rivera.
Entre os destaques das celebrações de 2026, uma Catrina de 33,4 metros, altura equivalente à de um prédio de cerca de 11 andares, recebeu do Guinness World Records o reconhecimento de mais alta do mundo feita em cartonería. A marca anterior era de 28,15 metros, de uma estrutura construída em Puerto Vallarta em 2023.
Como o esporte entrou na data
A NFL realizou, entre 16 e 18 de outubro, na Cidade do México, a terceira edição de “Hasta la Muerte”. A ação reuniu altares de oito equipes, entre elas Kansas City Chiefs, Dallas Cowboys e Los Angeles Rams. No espaço dos Chiefs, os fãs puderam incluir imagens de quem os apresentou ao time. Houve ainda uma coleção de camisas, moletons, bonés e acessórios inspirada na data.
No futebol, o Club Tijuana apresentou em 13 de outubro um uniforme alternativo feito em parceria com a Reebok. A camisa é predominantemente preta, com detalhes em laranja, e traz referências ao Mictlán, o mundo dos mortos na tradição mexica, e ao xoloitzcuintle, cão que, segundo a tradição, acompanha as almas. O animal também está ligado à identidade do clube, conhecido como Xolos.
O que a morte significa para quem celebra
O blog Morte Sem Tabu, da Folha, publicou um texto de opinião de um autor que chegou à Cidade do México em julho. Segundo ele, os mexicanos dizem “mis muertos”, meus mortos, um jeito de falar que mostra proximidade.
A curandeira e parteira Cilintli, de 53 anos, ouvida pelo blog, situa o início do período de lembrança em 29 de setembro, em San Juanico Nextipac, na Cidade do México. “Nós celebramos os mortos durante 2 meses, e não 2 dias”, afirmou.



