O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, anunciou nesta quinta-feira (1º) que não vai participar do debate presidencial da TV Globo marcado para a noite de hoje. Ele atribuiu a decisão à “censura imposta ao evento” pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O anúncio saiu poucas horas antes do início. A agência Reuters descreve Flávio como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral.
O que Flávio Bolsonaro disse
Em publicação no X, o senador escreveu: “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”.
Ele prometeu divulgar mais detalhes em breve.
Qual foi a decisão do TSE sobre o púlpito de Lula
Mais cedo, a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir um púlpito vazio com o nome do presidente Lula durante o debate. A emissora também deve impedir perguntas direcionadas a ele.

As regras da Globo previam manter o assento identificado do candidato ausente, dar destaque visual à ausência e permitir que os demais candidatos fizessem perguntas a ele. A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa Lula, questionou essas regras no TSE.
Lula não participa do debate e vai ao podcast Flow, no mesmo horário. O presidente também faltou ao debate da TV Band em 23 de agosto, quando a emissora exibiu os púlpitos vazios dele e de Flávio, que igualmente não compareceu.
Na decisão, a relatora afirmou que a lei dá autonomia a emissoras e campanhas para combinar regras operacionais, mas que essa liberdade não pode atropelar a isonomia entre as candidaturas e a neutralidade. Para ela, punir a ausência com recursos visuais ou dinâmicas de coerção vai além da perda do tempo de fala e fere os direitos políticos do candidato.
Quem vai no lugar de Lula
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Globo garanta a presença de Renan Santos (Missão) na vaga aberta pela desistência de Lula. O pedido foi apresentado pelo Solidariedade, dentro de uma reclamação que já tramitava no STF.

Pela decisão, Renan deve ter o mesmo tempo, as mesmas perguntas e a mesma posição dos outros participantes, e a equipe dele deve ser credenciada. A emissora pode fazer adaptações na dinâmica do debate.
Gilmar considerou que Renan cumpre o critério que a própria Globo estabeleceu: ele era o mais bem colocado na pesquisa Quaest entre os candidatos sem presença obrigatória, com 3%. Segundo o ministro, a autonomia da emissora não é absoluta e precisa respeitar imparcialidade, igualdade de oportunidades, pluralismo político e direito à informação.
O ministro também comparou Renan a Romeu Zema, cuja inclusão havia sido determinada pelo TSE. Na pesquisa Quaest de 28 de setembro, Zema aparecia com 1%.
Reação de Renan Santos
Depois da decisão de Gilmar, Renan escreveu no X: “Estou completamente confuso e feliz ao mesmo tempo”. No Instagram, disse que estava a caminho do Projac e que espera que a emissora cumpra a determinação.
O debate está marcado para esta noite na TV Globo.



