A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), apresentou à Justiça de São Paulo sua resposta à acusação do Ministério Público estadual (MPSP) na Operação Vérnix. O documento foi protocolado na quarta-feira (4) pelo advogado Bruno Ferullo, segundo a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, e a CNN Brasil.
A operação, deflagrada em maio, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro da facção. Um dos alvos é a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa desde 21 de maio.
O que a defesa de Marcola alega
No documento, Ferullo sustenta que houve irregularidades já na fase de investigação. Em nota, a defesa afirmou que, no entendimento dela, essas falhas comprometem a validade dos atos do processo. O advogado também argumenta que o material reunido pelo MP não basta para demonstrar a responsabilidade penal de cada investigado.
Leia também: Ministério da Segurança Pública será criado por MP, diz Lula; 1ª reunião é nesta sexta (6)
Ele pediu ainda acesso a elementos da apuração que, segundo a defesa, não foram disponibilizados, além de outras diligências que considera necessárias. De acordo com a coluna, Ferullo defende Marcola e os três parentes que também são alvos da ação: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. As defesas negam as acusações.
O que o MP diz sobre o esquema
De acordo com o MPSP, uma transportadora de fachada na região de Presidente Venceslau (SP) teria servido para lavar dinheiro do PCC. A família de Marcola, segundo o órgão, atuava junto com a influenciadora.
Os investigadores afirmam que Deolane recebeu R$ 1.067.505 entre 2018 e 2021, em depósitos fracionados, prática conhecida como smurfing, usada para dificultar a identificação da origem do dinheiro. Paloma, sobrinha de Marcola, seria um dos elos entre a influenciadora e a cúpula da facção.

A apuração começou em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material descrevia a dinâmica interna do grupo e citava uma \”mulher da transportadora\”, que ajudaria a levantar endereços de agentes públicos para possíveis ataques. Segundo a CNN Brasil, a perícia em um celular revelou conversas entre familiares de Marcola e Deolane.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões e o sequestro de bens de luxo. Em maio, quatro carros de luxo ficaram estacionados em frente ao Palácio da Polícia Civil, na região da Luz, no centro da capital; a Veja os avalia em ao menos R$ 5 milhões. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, e a Polícia Civil afirmam que o esquema movimentou mais de R$ 300 milhões.
Por que o \”Player\” pede prisão domiciliar
Também preso na operação, Everton de Souza, conhecido como \”Player\”, apresentou resposta à acusação no mesmo dia. O MP o aponta como operador financeiro do grupo. O advogado dele, José Albino Neto, também alega irregularidades na investigação.
A defesa informou que Souza está em tratamento oncológico e pediu a troca da prisão preventiva pela domiciliar. \”Neste momento a maior preocupação da defesa e dos familiares de Everton é o seu grave estado de saúde, que se agravou após seu ingresso no sistema penitenciário\”, diz a defesa. Não há informação sobre decisão da Justiça a respeito do pedido.
O que acontece agora
Ferullo informou que aguarda a manifestação do Ministério Público e, depois, a análise dos pedidos pelo juízo. Não há data divulgada para nenhuma das duas etapas.



