Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
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Operação NarcoNet prende 6 suspeitos de extorquir provedores de internet em Vila Velha

Polícia Civil do ES cumpre 25 mandados contra o PCV em Vila Velha e Cariacica; facção é suspeita de cobrar parte do lucro de empresas e cortar a rede de quem não pagava

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Resumo rápido

  • A Polícia Civil do ES fez nesta segunda (19) a Operação NarcoNet contra o PCV em Vila Velha e Cariacica.
  • A facção é suspeita de exigir parte do lucro de provedores de internet e danificar a rede de quem recusava.
  • Seis pessoas foram presas; 25 mandados de busca foram cumpridos, a maioria em Vila Garrido.

A Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou na manhã desta segunda-feira (19) a Operação NarcoNet contra integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção suspeita de cobrar dinheiro de donos de provedores de internet em Vila Velha e Cariacica e de danificar as redes de quem se recusava a pagar. Cerca de 100 policiais cumpriram 25 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária, e seis pessoas foram presas.

A maior parte dos mandados foi cumprida em Vila Velha, principalmente no bairro Vila Garrido. O restante ficou em Cariacica, segundo A Gazeta.

Como funcionava a extorsão

De acordo com a investigação, integrantes da facção procuravam empresários que vendem internet de forma regular na região e exigiam uma parte do faturamento. Quem não pagava tinha cabos e equipamentos de distribuição do sinal danificados, o que derrubava a conexão de moradores e comércios dos bairros atendidos.

Leia também: PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra internet do CV no Rio

“Os traficantes ameaçam empresários que exploram internet de forma legal e querem receber parte do lucro dos empresários”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, à Folha Vitória.

Ainda segundo Jordano Bruno, em entrevista à A Gazeta, os presos foram identificados durante a investigação e são apontados como responsáveis pela estrutura do esquema na região. Ele disse que o objetivo da operação é tirar esse grupo de circulação para que moradores e empresas voltem a oferecer e usar internet sem ameaça.

A polícia não informou quanto era cobrado, quantas empresas foram atingidas nem quantos clientes ficaram sem sinal. Os nomes dos presos também não foram divulgados.

Poste com emaranhado de fios e cabos
Poste com cabos e fios em comunidade do Rio de Janeiro (imagem ilustrativa, 2024) Foto: Josiie23/Wikimedia Commons, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por que o nome NarcoNet

Segundo a Polícia Civil, o nome junta o tráfico de drogas à tentativa do grupo de controlar serviços de conexão. Para os investigadores, a facção queria impor controle territorial e econômico sobre uma atividade legal.

Quem participou da operação

A ação foi coordenada pelo Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), chefiado pelo delegado Ricardo Almeida, com a presença do delegado-geral Jordano Bruno e do delegado-geral adjunto Fabrício Dutra. Também atuaram:

  • Coordenadoria de Recursos Especiais (Core);
  • Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP);
  • Força Tática da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar;
  • Polícia Penal do Espírito Santo;
  • Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), com o helicóptero Harpia.

O que diz a lei antifacção

Os suspeitos também são investigados por “domínio social estruturado”, crime criado pela Lei 15.358/2026, a lei antifacção, sancionada em março. O tipo penal mira grupos que atacam o funcionamento de serviços e instituições essenciais. A mesma lei prevê de 20 a 40 anos de prisão para líderes de facção e restringe indulto, anistia e liberdade condicional para condenados.

A investigação ainda está em andamento, e os presos são suspeitos, não condenados.

O golpe já apareceu em outros estados

A cobrança de “taxa” de provedores por facções não é novidade no país. Em Salvador, empresas relataram em 2025 que o Comando Vermelho exigia uma mensalidade para deixar a internet funcionar em bairros sob controle do grupo, com valores calculados pelo número de clientes, segundo reportagem da Revista Oeste baseada em entrevistas do Correio.

O que fazer se você for vítima ou souber de casos

  • Denúncia anônima: o Disque-Denúncia 181, do governo do Espírito Santo, recebe informações sem identificar quem liga.
  • Empresário extorquido: registre ocorrência na Polícia Civil e guarde mensagens, áudios e fotos dos danos à rede.
  • Cliente sem internet: peça ao provedor o número do protocolo e a previsão de reparo, para ter registro da falha.

Próximos passos

O material apreendido nesta segunda vai ser analisado e, segundo o delegado-geral, deve embasar novas prisões. Parte dos investigados está foragida em outros estados, e a Polícia Civil afirma que as investigações continuam.

Fontes consultadas

A Gazeta — Operação mira PCV após extorsões contra provedores de internet em Vila Velha Folha Vitória — Facção é suspeita de extorquir empresários do setor de internet e ameaçar serviço no ES Metrópoles — Facção PCV é alvo de operação por extorquir empresas de internet no ES O Imparcial — Lei antifacção entra em vigor com penas de até 40 anos Revista Oeste — Comando Vermelho cobra pedágio de provedores de internet na Bahia

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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