O Rio Grande do Sul enfrenta nesta quinta-feira (8) um dia de tempo severo, com risco de temporais, granizo, chuva intensa e rajadas de vento. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou avisos de tempestade que cobrem todo o estado, nos níveis amarelo (perigo potencial) e laranja (perigo).
De acordo com a Climatempo Meteorologia, o quadro é provocado pela combinação de uma frente fria, uma área de baixa pressão e a formação de um ciclone. A empresa prevê que as instabilidades atuem entre a madrugada e a manhã, com uma linha de tempestades avançando pelo território gaúcho.
Quais regiões correm mais risco?
Segundo a Climatempo, o risco é maior no Oeste, na Campanha, no Sul, no Centro, nas Missões, no Noroeste, no Norte, nos Vales e na Serra. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, são esperadas pancadas de chuva e temporais possíveis, com mais chance de alagamentos em pontos vulneráveis.
Leia também: Temporal no RS: Inmet põe estado em alerta até sexta e Defesa Civil vê risco de tornado no Oeste
A previsão é de acumulados entre 10 e 80 milímetros ao longo do dia. Em pontos do Oeste e das Missões, o volume pode chegar a 100 milímetros. A empresa avisa que a chuva pode vir com intensidade alta em períodos curtos.
Qual foi a rajada de vento mais forte?
Dados do Inmet e da Defesa Civil mostram que o vento passou de 100 km/h em pelo menos três cidades: Maçambará (109,1 km/h), Dilermando de Aguiar (104,8 km/h) e Bagé (100,4 km/h). Também houve rajadas de 97,2 km/h em Quaraí, 90 km/h em Santana do Livramento e 83,2 km/h em Itaqui.
Quantos clientes estão sem luz?
As duas principais concessionárias de energia do estado informaram que mais de 56 mil clientes estavam sem luz. Os municípios com mais consumidores afetados são:
- Bagé: 15.889
- São José do Norte: 7.528
- Pelotas: 5.386
Quantas pessoas saíram de casa?
Cerca de 300 pessoas tiveram de sair de casa devido às cheias de rios na Fronteira Oeste, segundo a Defesa Civil. Em Uruguaiana, mais de 90 pessoas foram atingidas diretamente pela cheia do Rio Uruguai.
Em Alegrete, outras 250 continuam fora de casa por causa do Rio Ibirapuitã. O nível do rio já baixou, mas a água ainda alcança ruas da cidade. A Defesa Civil segue acompanhando a situação, porque a chuva prevista pode contribuir para uma nova alta do rio e aumentar o número de famílias desalojadas.
Como estão os rios?
Em diferentes pontos do estado, os rios seguem acima da cota de inundação na manhã desta quinta, segundo a Rádio Guaíba. O Inmet mantém alerta laranja, e novas chuvas nas bacias podem alterar a tendência de recuo observada em alguns locais.
No Rio Uruguai, em Uruguaiana, a estação Ponte Internacional registrava 9,52 metros às 8h30, 1,02 metro acima da cota de 8,50 metros. O nível subia 2 centímetros por hora. Em Itaqui, o rio estava em 9,33 metros, 1,03 metro acima da cota, com projeção de chegar a cerca de 9,35 metros à tarde.
Em São Borja, o Uruguai estava três centímetros acima da cota, com tendência de queda. O pico do evento foi de 10,07 metros, na manhã de terça-feira (6).
No Rio Jacuí, em Cachoeira do Sul, a estação Passo São Lourenço marcava 9,38 metros, 38 centímetros acima da cota de 9 metros. O nível caía 2 centímetros por hora. Se o ritmo se mantiver, o rio deve voltar abaixo da cota entre a madrugada e o início da manhã de sexta-feira (9).
O Rio Ibicuí, em Manoel Viana, também estava acima da cota: 9,73 metros, contra 9,60 metros. A previsão aponta queda nas próximas horas, com projeção de 9,67 metros por volta das 13h, mas há possibilidade de nova alta depois. Em Porto Alegre, o Guaíba permanece abaixo da cota de inundação.
Como se proteger?
Em alerta para a Região Sul divulgado na quarta-feira (7), o Inmet apontou riscos como corte de energia, queda de árvores, estragos em plantações e alagamentos. Para casos de rajadas de vento, o instituto orienta:
- não se abrigar debaixo de árvores, por risco de queda e de descargas elétricas;
- não estacionar veículos perto de torres de transmissão e placas de propaganda;
- se possível, desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia.
Mais informações podem ser obtidas com a Defesa Civil, pelo telefone 199, e com o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Como fica a sexta-feira (9)?
A previsão para sexta-feira indica que a instabilidade continua em boa parte do estado, mesmo depois da passagem da frente fria. A umidade que segue chegando favorece pancadas frequentes e temporais isolados, com possibilidade de granizo e rajadas acima de 70 km/h.
Segundo a Climatempo, esse cenário favorece alagamentos, enxurradas e novas elevações dos rios, principalmente em áreas que ainda sentem os efeitos das chuvas anteriores.



