O telescópio espacial Swift, da Nasa, voltou à Terra às 9h39 (horário de Brasília) desta quarta-feira (4) e reentrou na atmosfera sobre o norte da ilha de Sumatra, na Indonésia, do outro lado do planeta. A confirmação é da Força Espacial dos Estados Unidos e foi publicada pela agência americana. O Brasil, que estava dentro da faixa de queda possível, ficou fora da rota final.
Pelos dados oficiais, a reentrada aconteceu a cerca de 3,4 graus de latitude norte e 98,6 graus de longitude leste. A Nasa esperava que a maior parte da nave queimasse no atrito com o ar, mas admite que algumas peças podem ter resistido até o fim.
O Swift caiu no Brasil?
Não. Até a véspera, a previsão era de que a queda poderia ocorrer em qualquer ponto de uma faixa de cerca de 21 graus ao norte e ao sul da Linha do Equador, por causa da inclinação da órbita do satélite. Essa faixa cobria boa parte do Norte e do Nordeste e áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, como explicou a Gazeta do Povo. Os estados do Sul estavam fora da área.
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Com a confirmação do ponto de reentrada no Sudeste Asiático, não há risco de fragmentos do Swift em território brasileiro. Vídeos que circularam em redes sociais mostrando um rastro luminoso foram gravados por moradores da Malásia e da Indonésia, segundo o site de astronomia EarthSky, que reuniu as imagens. A ligação entre esses registros e o satélite ainda não foi confirmada oficialmente.
Qual era o risco para as pessoas?
Baixo. Em nota divulgada antes da queda, a Nasa estimou em cerca de 1 em 2.100 a chance de algum fragmento atingir uma pessoa em qualquer lugar do mundo, de acordo com o Spaceflight Now. O número se refere ao planeta inteiro, não a um país ou cidade específicos.
O satélite tinha cerca de 1,5 tonelada. Até a publicação desta reportagem, não havia relato de danos em solo.
Por que o telescópio caiu
O Swift foi lançado em 2004 para uma missão principal de apenas dois anos e acabou funcionando por quase 22. Com o tempo, o atrito com as camadas mais altas da atmosfera foi freando o satélite, e a órbita passou a baixar alguns quilômetros por dia nas últimas semanas.

Para tentar salvá-lo, a Nasa contratou a empresa Katalyst Space por US$ 30 milhões. A ideia era usar um rebocador robótico, chamado LINK, para agarrar o telescópio e empurrá-lo para uma órbita mais alta. O LINK subiu em 3 de julho, mas perdeu o controle de orientação semanas depois, por uma falha ligada às rodas de reação, peças que giram para apontar a nave. A captura foi cancelada em 19 de agosto, segundo o Spaceflight Now.
“Não é o resultado que buscávamos, mas isso não muda o motivo pelo qual valia a pena tentar”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, quando a tentativa foi abandonada.
O que o Swift fez em 22 anos
O observatório foi criado para estudar as explosões de raios gama, os eventos mais violentos do universo. Esses clarões duram segundos, e o Swift tinha a vantagem da velocidade: detectava a explosão, calculava a posição e girava seus telescópios em cerca de um minuto, avisando ao mesmo tempo observatórios do mundo todo.
Os números da missão, informados pela Nasa e reunidos pelo Spaceflight Now:
- mais de 2.000 explosões de raios gama observadas;
- mais de 1.400 supernovas estudadas;
- cerca de 12 terabytes de dados em arquivo;
- aproximadamente 7.000 artigos científicos que usaram essas informações.
A bordo havia três instrumentos: um detector de raios gama de campo amplo, um telescópio de raios X e um telescópio de luz ultravioleta e visível. Além das explosões, o Swift observou buracos negros supermassivos no centro de galáxias, estrelas com erupções de raios X, cometas e asteroides.
E se outro satélite estiver para cair?
Reentradas de satélites e partes de foguetes são frequentes e, na grande maioria das vezes, terminam no mar ou em áreas desabitadas, já que a maior parte da superfície da Terra é coberta por oceanos. Quem encontrar um objeto suspeito de ter caído do céu não deve tocá-lo: o recomendado é isolar o local e avisar a Defesa Civil (199) ou a polícia.
O que acontece agora
Com o Swift fora de órbita, a Nasa e a Katalyst vão analisar os dados da aproximação do LINK para usar em futuras missões de manutenção de satélites. O arquivo de observações do telescópio continua aberto a pesquisadores e deve seguir rendendo estudos nos próximos anos.



