Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
--° São Paulo
Mundo

Telescópio Swift, da Nasa, cai sobre a Indonésia e fica fora do Brasil

Satélite de 22 anos reentrou na atmosfera às 9h39 desta quarta (4), sobre Sumatra; Nasa calculava risco de 1 em 2.100 para pessoas

Siga o Trendou:XFacebookTelegramYouTube

Resumo rápido

  • O Swift reentrou na atmosfera às 9h39 de Brasília, sobre o norte de Sumatra.
  • Parte do Brasil estava na faixa possível de queda, mas não há risco de fragmentos no país.
  • Uma missão de resgate de US$ 30 milhões falhou e o telescópio não pôde ser salvo.

O telescópio espacial Swift, da Nasa, voltou à Terra às 9h39 (horário de Brasília) desta quarta-feira (4) e reentrou na atmosfera sobre o norte da ilha de Sumatra, na Indonésia, do outro lado do planeta. A confirmação é da Força Espacial dos Estados Unidos e foi publicada pela agência americana. O Brasil, que estava dentro da faixa de queda possível, ficou fora da rota final.

Pelos dados oficiais, a reentrada aconteceu a cerca de 3,4 graus de latitude norte e 98,6 graus de longitude leste. A Nasa esperava que a maior parte da nave queimasse no atrito com o ar, mas admite que algumas peças podem ter resistido até o fim.

O Swift caiu no Brasil?

Não. Até a véspera, a previsão era de que a queda poderia ocorrer em qualquer ponto de uma faixa de cerca de 21 graus ao norte e ao sul da Linha do Equador, por causa da inclinação da órbita do satélite. Essa faixa cobria boa parte do Norte e do Nordeste e áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, como explicou a Gazeta do Povo. Os estados do Sul estavam fora da área.

Leia também: Petróleo cai quase 8% e Brent fica abaixo de US$ 105 com sinais de diálogo entre EUA e Irã · Brasileiro de Duque de Caxias é eleito deputado estadual na Flórida com 62% dos votos

Com a confirmação do ponto de reentrada no Sudeste Asiático, não há risco de fragmentos do Swift em território brasileiro. Vídeos que circularam em redes sociais mostrando um rastro luminoso foram gravados por moradores da Malásia e da Indonésia, segundo o site de astronomia EarthSky, que reuniu as imagens. A ligação entre esses registros e o satélite ainda não foi confirmada oficialmente.

Qual era o risco para as pessoas?

Baixo. Em nota divulgada antes da queda, a Nasa estimou em cerca de 1 em 2.100 a chance de algum fragmento atingir uma pessoa em qualquer lugar do mundo, de acordo com o Spaceflight Now. O número se refere ao planeta inteiro, não a um país ou cidade específicos.

O satélite tinha cerca de 1,5 tonelada. Até a publicação desta reportagem, não havia relato de danos em solo.

Por que o telescópio caiu

O Swift foi lançado em 2004 para uma missão principal de apenas dois anos e acabou funcionando por quase 22. Com o tempo, o atrito com as camadas mais altas da atmosfera foi freando o satélite, e a órbita passou a baixar alguns quilômetros por dia nas últimas semanas.

Modelo do satélite Swift com painéis solares
Modelo do satélite Swift, lançado em 2004 para estudar explosões de raios gama Foto: NASA E/PO, Sonoma State University/Aurore Simonnet, via Wikimedia Commons (Domínio público)

Para tentar salvá-lo, a Nasa contratou a empresa Katalyst Space por US$ 30 milhões. A ideia era usar um rebocador robótico, chamado LINK, para agarrar o telescópio e empurrá-lo para uma órbita mais alta. O LINK subiu em 3 de julho, mas perdeu o controle de orientação semanas depois, por uma falha ligada às rodas de reação, peças que giram para apontar a nave. A captura foi cancelada em 19 de agosto, segundo o Spaceflight Now.

“Não é o resultado que buscávamos, mas isso não muda o motivo pelo qual valia a pena tentar”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, quando a tentativa foi abandonada.

O que o Swift fez em 22 anos

O observatório foi criado para estudar as explosões de raios gama, os eventos mais violentos do universo. Esses clarões duram segundos, e o Swift tinha a vantagem da velocidade: detectava a explosão, calculava a posição e girava seus telescópios em cerca de um minuto, avisando ao mesmo tempo observatórios do mundo todo.

Os números da missão, informados pela Nasa e reunidos pelo Spaceflight Now:

  • mais de 2.000 explosões de raios gama observadas;
  • mais de 1.400 supernovas estudadas;
  • cerca de 12 terabytes de dados em arquivo;
  • aproximadamente 7.000 artigos científicos que usaram essas informações.

A bordo havia três instrumentos: um detector de raios gama de campo amplo, um telescópio de raios X e um telescópio de luz ultravioleta e visível. Além das explosões, o Swift observou buracos negros supermassivos no centro de galáxias, estrelas com erupções de raios X, cometas e asteroides.

E se outro satélite estiver para cair?

Reentradas de satélites e partes de foguetes são frequentes e, na grande maioria das vezes, terminam no mar ou em áreas desabitadas, já que a maior parte da superfície da Terra é coberta por oceanos. Quem encontrar um objeto suspeito de ter caído do céu não deve tocá-lo: o recomendado é isolar o local e avisar a Defesa Civil (199) ou a polícia.

O que acontece agora

Com o Swift fora de órbita, a Nasa e a Katalyst vão analisar os dados da aproximação do LINK para usar em futuras missões de manutenção de satélites. O arquivo de observações do telescópio continua aberto a pesquisadores e deve seguir rendendo estudos nos próximos anos.

Fontes consultadas

Nasa — NASA's Swift Observatory Re-Entered Atmosphere Spaceflight Now — NASA's Neil Gehrels Swift Observatory to burn up this week after more than two decades in space EarthSky — Swift spacecraft fell back to Earth in a fiery blaze on Wednesday Gazeta do Povo — Telescópio da Nasa deve reentrar na atmosfera nesta quarta; veja o risco para o Brasil

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

Mais lidas agora

  1. 1Quinto dia útil de novembro de 2026 cai no sábado, 7; depósito tende a sair na sexta
  2. 2Bets vão voltar? O que está em jogo na audiência do STF sobre a proibição das apostas
  3. 3Mega da Virada de R$ 1 bilhão: quanto rende por mês na poupança e no CDB
  4. 4Gás do Povo libera novos vales em 10 de novembro: veja quem tem direito e como trocar o botijão
  5. 5Copom decide a Selic na quarta (4), e mercado já aposta em pausa nos cortes após a eleição

Escolha sua cidade

Sem escolha, mostramos o tempo da cidade aproximada pela sua conexão. A escolha fica salva só neste aparelho.

▶ Trendou no YouTube